Por que meu cachorro coça a orelha e lambe a pata?

Quando um cachorro coça a orelha e lambe a pata incessantemente, é um sinal claro de que algo não está bem. Essas ações indicam desconforto, dor ou irritação que exigem atenção veterinária para diagnóstico e tratamento adequados. Esses comportamentos não devem ser ignorados, pois podem ser manifestações de condições médicas subjacentes que afetam a qualidade de vida do animal e, se não tratadas, podem evoluir para problemas mais graves.

  • Coceira e lambedura excessivas indicam problemas de saúde que precisam de investigação.
  • As causas mais comuns incluem alergias, infecções e parasitas.
  • Um diagnóstico veterinário é crucial para o tratamento correto.
  • Existem soluções eficazes para aliviar o sofrimento do seu pet.
  • Prevenção e manejo contínuo são importantes para a saúde a longo prazo.

Compreender os motivos por trás desses comportamentos é o primeiro passo para ajudar seu companheiro peludo. A persistência desses sintomas sugere uma necessidade de intervenção, seja através de mudanças na dieta, tratamento médico ou adaptações no ambiente do animal. Ignorar esses sinais pode levar a feridas secundárias, infecções bacterianas ou fúngicas e um ciclo de mal-estar que afeta tanto o cão quanto a dinâmica familiar.

É fundamental observar outros sinais que acompanham a coceira e a lambedura, como vermelhidão na pele, perda de pelo, mau cheiro nas orelhas ou patas, ou mudanças no comportamento geral do animal. Esses detalhes adicionais podem fornecer pistas valiosas para o veterinário no processo de diagnóstico. A abordagem deve ser sempre baseada na saúde e bem-estar do animal, buscando a causa raiz do problema em vez de apenas aliviar os sintomas temporariamente.

A relação entre a orelha e a pata não é uma coincidência. Muitos problemas que afetam as orelhas (como otites alérgicas) também podem manifestar-se nas patas devido à tendência do cão de se coçar com as patas traseiras ou lamber as patas dianteiras em busca de alívio. Essa interconexão torna a observação atenta de ambos os locais essencial para um diagnóstico preciso.

Principais causas de coceira e lambedura excessiva

A irritação que leva um cachorro a coçar a orelha e lamber a pata pode ter diversas origens. Dentre as mais frequentes, destacam-se as reações alérgicas, que são uma das principais vilãs quando se trata de dermatites caninas. Essas alergias podem ser de diferentes tipos, cada uma com suas particularidades e gatilhos.

Alergias: o gatilho comum

As alergias em cães são uma resposta exagerada do sistema imunológico a substâncias geralmente inofensivas. Elas se manifestam de várias formas, mas a coceira persistente nas orelhas e patas é um sintoma clássico. Entender o tipo de alergia é crucial para o manejo.

Dermatite alérgica à picada de pulga (DAPP): Esta é talvez a alergia mais comum. A saliva da pulga, mesmo uma única picada, pode desencadear uma reação intensa em cães sensíveis. A coceira tende a ser mais intensa na região traseira do corpo, base da cauda e coxas, mas pode generalizar e manifestar-se também nas patas e orelhas.

Dermatite atópica (alergia ambiental): Cães com atopia reagem a alérgenos presentes no ambiente, como ácaros de poeira, pólen, mofo e epitélios de outros animais. Os sintomas geralmente são sazonais, piorando em determinadas épocas do ano, mas podem tornar-se crônicos. O prurido (coceira) é frequentemente sentido nas patas, face, orelhas e axilas. A lambedura excessiva das patas é uma tentativa de aliviar a sensação de queimação ou formigamento.

Dermatite alérgica alimentar: Causada pela ingestão de ingredientes específicos na dieta do cão, como proteínas (frango, carne bovina, laticínios) ou carboidratos. Ao contrário da atopia, as alergias alimentares não são sazonais e os sintomas podem aparecer em qualquer época do ano. Além da coceira, podem ocorrer problemas gastrointestinais como vômitos e diarreia. A pele ao redor da boca e do ânus também pode ficar irritada, e as patas e orelhas são áreas comumente afetadas.

Alergia de contato: Menos comum, mas possível. Ocorre quando a pele do cão entra em contato direto com uma substância irritante ou alergênica, como certos produtos de limpeza, tecidos, plantas ou materiais de camas. A irritação aparece nas áreas de contato direto, como as patas e a barriga.

Infecções: o ciclo vicioso

A pele comprometida por alergias ou outros fatores torna-se um ambiente propício para o desenvolvimento de infecções secundárias, que, por sua vez, aumentam a coceira e a inflamação, criando um ciclo difícil de quebrar.

Otite canina: A inflamação do canal auditivo é extremamente comum em cães com alergias, especialmente atopia e alergia alimentar. O ambiente úmido e escuro dentro da orelha é ideal para o crescimento de bactérias e fungos (leveduras). A dor e o desconforto levam o cão a coçar a orelha com as patas traseiras ou a sacudir a cabeça violentamente. O mau cheiro e a secreção nas orelhas são sinais típicos. A coceira na orelha pode ser tão intensa que o cão se esfrega em objetos ou usa as patas para aliviar a sensação.

Dermatite bacteriana e fúngica: Bactérias (como Staphylococcus) e fungos (como Malassezia) podem proliferar em áreas de pele danificada ou inflamada, levando a infecções superficiais ou profundas. Essas infecções causam intensa coceira, vermelhidão, pústulas, crostas e podem afetar diversas partes do corpo, incluindo as patas e as dobras da pele. A pele pode apresentar um aspecto escuro e espessado em casos crônicos, conhecida como dermatite preta em cachorro, frequentemente associada a alergias não controladas.

Parasitas: invasores incômodos

A presença de parasitas externos é uma causa direta e muitas vezes fácil de identificar de coceira. A prevenção é a chave para evitar esses problemas.

Ácaros: Diversos tipos de ácaros podem infestar a pele dos cães. A sarna sarcóptica (causada pelo ácaro *Sarcoptes scabiei*) provoca uma coceira extremamente intensa e contagiosa, afetando principalmente as orelhas, cotovelos, joelhos e barriga. A sarna demodécica (causada pelo ácaro *Demodex*) pode causar perda de pelo e inflamação, especialmente em cães com sistema imunológico comprometido. Ácaros que causam sarna de ouvido (*Otodectes cynotis*) são uma causa primária de otite e coceira intensa nas orelhas.

Pulgas: Como mencionado na DAPP, as pulgas são um grande problema. Mesmo que o cão não tenha alergia, a simples presença de pulgas pode causar coceira significativa, especialmente se a infestação for grande. Elas geralmente se concentram na região posterior do corpo e na base da cauda, mas podem migrar para outras áreas, incluindo as patas e orelhas, se o animal estiver tentando se livrar delas.

Outras Causas Potenciais

Embora menos comuns, outras condições podem levar seu cachorro a coçar a orelha e lamber a pata.

Corpo estranho: Sementes, espinhos ou pequenos objetos podem ficar presos nas orelhas ou entre os dedos das patas, causando irritação e dor localizadas. O cão tentará remover o corpo estranho lambendo ou coçando a área afetada.

Doenças sistêmicas: Condições como hipotireoidismo ou doenças autoimunes podem afetar a saúde da pele e levar à coceira generalizada. Em casos de ferida de calazar em cachorro, por exemplo, a pele pode ficar comprometida e sensível, levando a comportamentos de coceira e lambedura.

Problemas comportamentais: Em alguns casos, quando todas as causas médicas foram descartadas, a coceira e a lambedura excessivas podem ter uma origem comportamental, como ansiedade, tédio ou estresse. O cão pode desenvolver um hábito de se lamber ou coçar para se auto-acalmar. No entanto, é essencial descartar todas as causas orgânicas primeiro, pois a causa comportamental raramente é a única origem.

Irritação química ou física: Exposição a produtos químicos fortes, atrito constante (por exemplo, com sapatos de cachorro mal ajustados ou por caminhar em superfícies abrasivas) pode causar irritação local nas patas.

A complexidade das causas exige uma abordagem metódica. É por isso que a consulta com um veterinário é o ponto de partida indispensável para qualquer tutor que observe esses sinais em seu pet. Somente um profissional poderá diferenciar entre as diversas possibilidades e definir o tratamento mais adequado, garantindo o alívio e a recuperação do animal.

O papel do veterinário no diagnóstico

Diante de um cachorro que coça a orelha e lambe a pata de forma persistente, a visita ao veterinário não é uma opção, mas uma necessidade. O profissional de saúde animal possui o conhecimento e as ferramentas para desvendar a origem do problema, que pode ser complexa e multifacetada.

Histórico detalhado e exame físico

O primeiro passo para o veterinário é coletar um histórico completo do animal. Isso inclui informações sobre a dieta, histórico de vacinação e desparasitação, ambiente em que vive, uso de produtos de limpeza ou ambientais, e o início e a progressão dos sintomas. Perguntas sobre a ocorrência de vômitos, diarreia ou outras alterações comportamentais também são essenciais, especialmente se houver suspeita de alergia alimentar.

Em seguida, o veterinário realizará um exame físico minucioso. Ele examinará a pele do animal em busca de sinais de inflamação, vermelhidão, pústulas, crostas, perda de pelo, espessamento da pele e a presença de pontinhos pretos na pele do cachorro (que podem indicar pulgas ou seborreia). As orelhas serão inspecionadas com um otoscópio para verificar a presença de inflamação, secreção, parasitas ou corpos estranhos. As patas serão avaliadas quanto a sinais de inflamação, feridas, rachaduras ou presença de corpos estranhos.

Testes diagnósticos essenciais

Com base no histórico e no exame físico, o veterinário poderá solicitar uma série de testes para confirmar ou descartar diferentes hipóteses:

Raspado de pele: Utilizado para identificar a presença de ácaros, como no caso de sarna sarcóptica ou demodécica. Uma pequena amostra de pele é raspada e examinada ao microscópio.

Citologia: Uma amostra de secreção ou de células da pele (geralmente coletada com fita adesiva ou swab) é corada e examinada ao microscópio para identificar a presença e o tipo de bactérias e leveduras, auxiliando no diagnóstico de infecções secundárias.

Cultura fúngica (micologia): Necessária quando há suspeita de infecções fúngicas mais específicas, como a dermatofitose (micose). O material coletado é enviado a um laboratório especializado.

Testes alérgicos:

Quando alergias são a principal suspeita, e após descartar parasitas e infecções, o veterinário pode recomendar:

  • Dieta de eliminação: Essencial para diagnosticar alergia alimentar. O cão é alimentado com uma dieta hipoalergênica rigorosa (com proteínas e carboidratos que ele nunca consumiu antes) por 8 a 12 semanas. Se os sintomas melhorarem, o veterinário reintroduzirá gradualmente os ingredientes da dieta anterior para identificar os causadores.
  • Testes intradérmicos ou sorológicos: Para diagnosticar atopia. O teste intradérmico envolve a injeção de pequenas quantidades de alérgenos sob a pele do cão para observar a reação. Testes sorológicos medem os níveis de anticorpos IgE específicos no sangue. Esses testes ajudam a identificar os alérgenos ambientais para orientar a imunoterapia, se for o caso.

Biópsia de pele: Em casos mais complexos ou quando outras doenças de pele estão sendo consideradas, uma pequena amostra de pele pode ser removida sob anestesia e enviada para análise histopatológica por um patologista veterinário.

A investigação detalhada é a única forma de garantir que o tratamento seja direcionado à causa raiz, e não apenas aos sintomas. Um diagnóstico preciso evita tratamentos ineficazes, economiza tempo e dinheiro, e, o mais importante, minimiza o sofrimento do animal, permitindo que ele volte a ter uma vida confortável e feliz.

Tratamentos para aliviar o desconforto

Uma vez que o veterinário tenha estabelecido um diagnóstico preciso para o cachorro que coça a orelha e lambe a pata, um plano de tratamento individualizado pode ser implementado. O objetivo é não apenas aliviar a coceira imediata, mas também tratar a causa subjacente e prevenir futuras crises.

Manejo de Alergias

O tratamento de alergias é geralmente crônico e focado no controle dos sintomas e na minimização da exposição aos alérgenos.

Medicações:

  • Antialérgicos (anti-histamínicos): Podem ser eficazes em casos leves a moderados de atopia.
  • Corticosteroides: São potentes anti-inflamatórios que proporcionam alívio rápido da coceira intensa. No entanto, seu uso deve ser monitorado de perto pelo veterinário devido aos potenciais efeitos colaterais a longo prazo.
  • Oclacitinib e ciclosporina: Medicamentos mais modernos que atuam modulando a resposta imunológica, oferecendo alívio com menos efeitos colaterais que os corticoides em muitos casos.
  • Antiparasitários: Essenciais para controlar pulgas e ácaros. A desparasitação regular e eficaz do animal e do ambiente é fundamental, especialmente para DAPP.

Imunoterapia (vacina para alergia): Para atopia, a imunoterapia é uma opção a longo prazo. Baseia-se na administração controlada dos alérgenos aos quais o cão é sensível, com o objetivo de dessensibilizar o sistema imunológico ao longo do tempo.

Dietas terapêuticas: Para alergia alimentar, a única solução é manter a dieta de eliminação ou uma dieta de manutenção com fontes de proteína e carboidrato hidrolisadas ou novas para o animal. A adesão rigorosa é crucial.

Controle de Infecções

Infecções bacterianas e fúngicas secundárias exigem tratamento específico.

Antibióticos: Prescritos para infecções bacterianas, administrados por via oral ou tópica (em cremes ou sprays). A duração do tratamento pode variar de semanas a meses, dependendo da gravidade.

Antifúngicos: Utilizados para combater infecções por leveduras ou fungos. Podem ser administrados por via oral, tópica (shampoos, sprays, loções) ou em combinação. Shampoos e sprays medicinais com clorexidina ou cetoconazol são frequentemente recomendados para controle de Malassezia. O tratamento da otite requer limpeza regular das orelhas com produtos específicos e a aplicação de medicamentos tópicos indicados pelo veterinário.

Limpeza e Higiene: A limpeza regular das orelhas com soluções otológicas adequadas é vital para remover detritos e secreções, prevenindo a proliferação de microrganismos. Para as patas, banhos com shampoos antissépticos e secagem cuidadosa entre os dedos podem ajudar a manter a pele saudável.

Manejo de Parasitas

A prevenção e o tratamento de parasitas são cruciais para evitar a coceira.

Produtos antipulgas e anticarrapatos: Pipetas, comprimidos mastigáveis ou coleiras antiparasitárias devem ser utilizados conforme a recomendação veterinária, garantindo a cobertura adequada contra pulgas e outros ectoparasitas. O tratamento ambiental (uso de sprays ou nebulizadores em casa) pode ser necessário em casos de infestações severas.

Tratamento específico para ácaros: Medicamentos antiparasitários orais ou injetáveis são eficazes contra ácaros da sarna. O tratamento para sarna de ouvido geralmente envolve a limpeza das orelhas e a aplicação de medicamentos específicos que matam os ácaros.

Cuidados com as Patas

A lambedura excessiva das patas pode levar a feridas e infecções.

Protetores e cicratizantes: Pomadas ou sprays cicatrizantes podem ser usados para ajudar na recuperação de feridas. Em alguns casos, o uso de um colar elisabetano (cone) ou de meias protetoras pode ser necessário para impedir o acesso do cão à pata, permitindo a cicatrização. A maquininha de cortar pelo de cachorro pode ser útil para manter a área ao redor de feridas limpa e facilitar a aplicação de medicamentos.

Banhos terapêuticos: Banhos regulares com shampoos medicinais podem ser recomendados para acalmar a pele irritada e combater infecções.

Avaliação da dieta: Se a causa for alimentar, a alteração da dieta é o principal tratamento. Uma dieta balanceada e adequada às necessidades do cão é fundamental para a saúde geral da pele.

Manejo comportamental: Se a lambedura e a coceira tiverem origem comportamental, o veterinário pode recomendar enriquecimento ambiental, aumento da atividade física, treinamento de obediência e, em alguns casos, medicação ansiolítica ou antidepressiva.

O sucesso do tratamento depende da colaboração entre o tutor e o veterinário. Seguir as orientações à risca, administrar a medicação conforme prescrito e comparecer às consultas de retorno são passos essenciais para garantir que o cão se recupere completamente e mantenha uma pele saudável e livre de coceiras.

Prevenção: O caminho para um pet saudável

Após tratar um quadro onde o cachorro coça a orelha e lambe a pata, a prevenção se torna a palavra de ordem. Implementar medidas proativas pode evitar o retorno dos sintomas e garantir o bem-estar contínuo do seu animal de estimação. A chave está em uma abordagem multifacetada que envolve cuidados com a saúde, o ambiente e a rotina do cão.

Rotina de higiene e cuidados

Manter uma rotina de higiene consistente é um dos pilares da prevenção. Isso inclui:

Banhos regulares: A frequência e o tipo de shampoo devem ser adequados à pelagem e à condição de pele do seu cão. Para cães com histórico de alergias ou problemas de pele, shampoos hipoalergênicos ou medicinais recomendados pelo veterinário são fundamentais. Após o banho, a secagem completa, especialmente nas orelhas e entre os dedos das patas, é crucial para evitar a proliferação de fungos e bactérias.

Limpeza das orelhas: A limpeza regular com soluções otológicas específicas ajuda a remover o excesso de cerúmen e prevenir infecções. A frequência ideal deve ser definida pelo veterinário, mas em cães predispostos a otites, pode ser semanal ou quinzenal.

Higiene das patas: Inspecione e limpe as patas do seu cão regularmente, especialmente após passeios. Remova sujeiras, detritos ou qualquer substância que possa ter ficado presa entre os dedos ou nas almofadas. Se o cão apresentar irritação, pode ser útil usar lenços umedecidos específicos para pets ou uma solução de água morna com antisséptico suave.

Escovação da pelagem: A escovação diária ou frequente ajuda a remover pelos mortos, distribuir os óleos naturais da pele e verificar a presença de parasitas ou lesões cutâneas. Para cães que não soltam pelo e não têm cheiro forte, a escovação ainda é importante para a saúde da pele e para a detecção precoce de problemas.

Controle de parasitas

A prevenção de parasitas é um dos aspectos mais importantes e diretos para evitar a coceira.

Desparasitação interna e externa: Mantenha o cronograma de desparasitação interna (contra vermes) e externa (contra pulgas, carrapatos e ácaros) rigorosamente em dia, conforme orientação veterinária. Utilize produtos de qualidade e que sejam adequados ao peso e à idade do seu cão. Lembre-se que a prevenção é sempre mais eficaz e menos custosa do que o tratamento de infestações.

Ambiente livre de parasitas: Trate o ambiente do cão (caminha, tapetes, sofás) com produtos específicos contra pulgas e seus ovos, larvas e pupas. A lavagem regular da cama do animal em água quente também auxilia no controle.

Dieta e nutrição

A alimentação desempenha um papel crucial na saúde da pele e do sistema imunológico.

Dieta balanceada e de qualidade: Ofereça uma ração de alta qualidade, formulada para as necessidades específicas do seu cão (idade, porte, nível de atividade). Uma boa nutrição fortalece a barreira cutânea e o sistema imunológico.

Suplementação: Em alguns casos, o veterinário pode recomendar suplementos de ácidos graxos essenciais (ômega-3 e ômega-6), que ajudam a melhorar a saúde da pele e a reduzir a inflamação. A suplementação deve ser sempre orientada por um profissional.

Evitar gatilhos alimentares: Se o seu cão tem histórico de alergia alimentar, mantenha a dieta prescrita e evite oferecer petiscos ou restos de comida que possam conter os ingredientes alergênicos.

Ambiente e bem-estar

Um ambiente seguro e estimulante contribui para a saúde mental e física do cão.

Controle de alérgenos ambientais: Se o cão for alérgico a poeira, pólen ou mofo, mantenha a casa limpa, use purificadores de ar, evite tapetes que acumulem poeira e mantenha a umidade controlada. Se o cachorro tem pele enrugada, preste atenção especial à higiene das dobras para evitar infecções.

Exercício e enriquecimento: Cães que recebem estímulos adequados e gastam energia com exercícios físicos e mentais tendem a ser menos estressados e ansiosos. Isso pode ajudar a prevenir comportamentos compulsivos como a lambedura excessiva das patas.

Evitar produtos químicos agressivos: Opte por produtos de limpeza não tóxicos e evite o uso de aromatizadores de ambiente ou outros produtos que possam irritar o sistema respiratório ou a pele do animal.

Atenção a mudanças: Fique atento a qualquer alteração no comportamento do seu cão. Coceira ou lambedura que parecem aumentar após mudanças na rotina, dieta ou no ambiente podem ser sinais de alerta.

A prevenção é um compromisso contínuo. Ao integrar esses cuidados no dia a dia, você não só ajuda a evitar que seu cachorro coça a orelha e lambe a pata, mas também promove uma vida mais longa, saudável e feliz para o seu melhor amigo.

Mitos e verdades sobre coceira em cães

A preocupação com um cachorro que coça a orelha e lambe a pata é legítima, mas muitas vezes cercada por informações incorretas. Desmistificar alguns conceitos é vital para oferecer o cuidado adequado ao seu pet.

Mito 1: Coceira é apenas um sinal de que o cão está com pulgas.

Verdade: Embora as pulgas sejam uma causa comum de coceira, elas são apenas uma das muitas. Alergias (alimentares, ambientais, picada de pulga), infecções por fungos ou bactérias, ácaros, problemas hormonais e até mesmo estresse podem causar prurido intenso. Confiar apenas na busca por pulgas pode atrasar o diagnóstico correto.

Mito 2: Dar banho com mais frequência resolverá a coceira.

Verdade: Banhos excessivos, especialmente com produtos inadequados, podem remover a oleosidade natural da pele, ressecá-la e piorar a irritação, criando um ciclo vicioso. A frequência e o tipo de shampoo devem ser recomendados pelo veterinário com base na condição específica do cão. Para casos de dermatite preta em cachorro, por exemplo, banhos terapêuticos com produtos específicos são mais importantes do que a frequência.

Mito 3: Se o cachorro come bem, não é alergia alimentar.

Verdade: A alergia alimentar em cães pode se manifestar de diversas formas, e a coceira é um dos sintomas mais proeminentes, muitas vezes acompanhada de problemas gastrointestinais como diarreia ou vômito. No entanto, alguns cães podem apresentar apenas sintomas dermatológicos severos, como coceira intensa nas orelhas e patas, sem alterações digestivas significativas. A dieta pode ser a causa, mesmo que o cão pareça saudável em outros aspectos.

Mito 4: Coceira em cachorro é contagiosa para humanos.

Verdade: A maioria das causas de coceira em cães, como alergias ambientais ou alimentares, infecções bacterianas ou fúngicas (exceto dermatofitose, que é uma micose), não é contagiosa para humanos. As sarnas sarcóptica e demodécica são contagiosas para outros cães, mas raramente afetam humanos. A dermatofitose (micoses de pele) é a principal causa de dermatite canina é contagiosa e requer cuidados específicos.

Mito 5: Lambedura excessiva das patas é apenas um mau hábito.

Verdade: Lambedura compulsiva pode, sim, ter componentes comportamentais. Contudo, é crucial descartar causas médicas primárias. A lambedura constante pode ser um sinal de dor, ansiedade, tédio, ou, mais frequentemente, o resultado de alergias, infecções fúngicas ou bacterianas, ou até mesmo um corpo estranho nas patas. A consulta veterinária é essencial para identificar a origem.

Mito 6: Tratamentos caseiros são suficientes.

Verdade: Embora algumas medidas caseiras possam oferecer alívio temporário, elas raramente tratam a causa raiz de problemas dermatológicos complexos. Usar remédios sem diagnóstico veterinário pode mascarar sintomas, atrasar o tratamento correto e até piorar a condição do animal. Por exemplo, tentar tratar uma otite sem saber se é bacteriana ou fúngica pode ser ineficaz ou prejudicial.

A informação correta e a orientação de um veterinário são os melhores aliados para garantir que seu cachorro receba o tratamento adequado e para prevenir futuros episódios de coceira e desconforto.

A relação entre orelhas e patas

A conexão entre os sintomas de um cachorro que coça a orelha e lambe a pata não é aleatória; ela reflete a forma como o corpo do animal responde a irritações e desconfortos, especialmente em casos de alergias e infecções. Essa inter-relação é um ponto crucial para o diagnóstico veterinário.

O ciclo da coceira e lambedura

Quando um cão sente coceira nas orelhas, ele instintivamente usará as patas traseiras para tentar aliviar a sensação. Essa ação pode transferir alérgenos ou irritantes para as patas, ou simplesmente causar mais inflamação e feridas na pele das patas. Por outro lado, se a irritação primária estiver nas patas (por exemplo, devido a um alérgeno no chão ou a uma infecção fúngica), o cão pode tentar se livrar do desconforto lambendo-as excessivamente. Essa lambedura constante pode introduzir saliva e bactérias na pele, levando a uma condição conhecida como "pododermatite", que é a inflamação das patas.

Alergias como elo comum

As alergias, especialmente a atopia e a alergia alimentar, são frequentemente a causa primária que leva a esse ciclo. A pele de todo o corpo do cão pode estar mais sensível, mas as extremidades, como as orelhas e as patas, são áreas particularmente vulneráveis. Isso ocorre por vários motivos:

Proximidade com o ambiente: As patas estão em contato direto com o solo, grama, produtos químicos e outras superfícies que podem conter alérgenos ou irritantes. As orelhas, embora menos expostas, podem ser afetadas por alérgenos transportados pelo ar ou por contato com superfícies contaminadas.

Estrutura anatômica: As orelhas dos cães, especialmente as de raças com orelhas caídas, tendem a ter canais auditivos mais estreitos e com menos ventilação, criando um ambiente úmido e escuro ideal para o crescimento de bactérias e leveduras. Essa predisposição a infecções secundárias (otites) é agravada pela inflamação alérgica subjacente.

Tendência à auto-mutilação: A coceira intensa nas orelhas pode levar o cão a se coçar com tanta força que ele acaba lesionando as patas. Da mesma forma, a lambedura persistente das patas pode ser uma forma de o cão tentar aliviar o desconforto geral causado por uma alergia sistêmica, e essa lambedura pode, por sua vez, irritar ainda mais a pele das patas.

Infecções secundárias

A pele inflamada e lesionada pelas alergias ou pela lambedura excessiva torna-se um terreno fértil para infecções. Leveduras (*Malassezia*) e bactérias (*Staphylococcus*) são microrganismos que normalmente habitam a pele, mas em condições de inflamação e umidade, podem proliferar e causar infecções secundárias. Essas infecções intensificam a coceira e a inflamação, perpetuando o ciclo.

A dermatite preta em cachorro, por exemplo, pode ser um sinal de dermatite crônica e inflamação, muitas vezes associada a alergias não controladas ou infecções recorrentes, afetando áreas como as dobras da pele, axilas, virilha e, às vezes, as patas.

A importância do tratamento completo

Entender essa interconexão é fundamental para que o tratamento seja eficaz. Um veterinário que diagnostica uma otite em um cão que também lambe as patas sabe que, provavelmente, há uma causa alérgica subjacente que precisa ser tratada. O tratamento pode envolver:

  • Limpeza e medicação para a otite.
  • Tratamento para a infecção bacteriana ou fúngica nas patas.
  • Medicação para controlar a alergia (antialérgicos, imunossupressores, corticoides).
  • Mudanças na dieta, se houver suspeita de alergia alimentar.
  • Controle rigoroso de parasitas.

Ignorar um dos sintomas (orelha ou pata) e focar apenas no outro levará a um tratamento incompleto e a uma alta probabilidade de recorrência. Abordar o problema de forma sistêmica, considerando todos os sinais clínicos e a saúde geral do animal, é a chave para restaurar o conforto e a qualidade de vida do seu pet.

Quando procurar ajuda veterinária emergencial?

Embora a maioria dos casos em que um cachorro coça a orelha e lambe a pata possa ser tratada com consultas de rotina, há situações que demandam atenção veterinária imediata. Reconhecer esses sinais de alerta pode prevenir complicações sérias e garantir o bem-estar do seu animal.

Sinais de alerta para atendimento emergencial:

Lesões agudas e graves: Se a coceira ou a lambedura levaram a feridas abertas, sangramentos intensos, úlceras profundas ou áreas de necrose na pele (tecido morto), procure um veterinário de emergência. Feridas de calazar em cachorro, por exemplo, podem ser graves e requerer cuidados urgentes.

Infecção severa e generalizada: Sinais de infecção avançada incluem febre, letargia acentuada, secreção purulenta em grande quantidade, mau cheiro insuportável, e inchaço considerável nas orelhas ou patas. Uma infecção que se espalha pelo corpo pode evoluir para sepse, uma condição com risco de vida.

Dor intensa: Se o seu cão demonstra dor extrema ao toque nas orelhas ou patas, vocaliza de dor, manca visivelmente ou se recusa a se mover, isso indica um problema agudo que precisa de alívio imediato. Pode ser um abscesso, uma fratura, ou uma infecção muito dolorosa.

Alterações neurológicas: Em casos raros, problemas sérios no ouvido podem afetar o sistema nervoso, levando a desorientação, perda de equilíbrio, inclinação da cabeça persistente, nistagmo (movimento involuntário dos olhos) ou paralisia facial. Estes são sinais de emergência neurológica.

Sintomas sistêmicos agudos: Vômitos persistentes, diarreia com sangue, dificuldade para respirar, colapso ou convulsões associadas à coceira ou lambedura indicam uma condição sistêmica grave que requer atendimento emergencial.

Reação alérgica severa: Embora menos comum em cães do que em humanos, uma reação alérgica grave (anafilaxia) pode ocorrer. Sinais incluem inchaço rápido da face, dificuldade para respirar, vômitos e colapso. Se suspeitar de uma reação anafilática, vá imediatamente a um pronto-socorro veterinário.

O que fazer antes de chegar ao veterinário:

Enquanto se dirige para a clínica de emergência:

  • Mantenha o animal o mais calmo possível.
  • Evite manipular excessivamente as áreas afetadas, a menos que seja para controlar um sangramento com pressão suave.
  • Se o animal estiver em choque, tente mantê-lo aquecido.
  • Não administre medicações humanas ou caseiras sem orientação veterinária prévia, pois podem ser tóxicas ou agravar o quadro.

Lembre-se que o tempo é um fator crítico em situações de emergência. Não hesite em procurar ajuda profissional se você identificar qualquer um desses sinais. O diagnóstico e o tratamento rápidos podem fazer toda a diferença na recuperação e na sobrevivência do seu pet.

Perguntas frequentes sobre coceira e lambedura

Entender as preocupações mais comuns dos tutores é essencial para oferecer um guia completo. Aqui estão algumas perguntas frequentes sobre cães que coçam a orelha e lambem a pata, com respostas claras e objetivas.